Lição 7 – As naturezas humana e divina de Jesus - EBD CPAD 2025 1º Trimestre
A lição tem como propósito reafirmar as naturezas divina e humana de Jesus e, ao mesmo tempo, mostrar as principais heresias contrárias ao ensino doutrinário da natureza cristológica: o Nestorionismo e o Monofisismo. Em seguida, a lição apresenta uma perspectiva atual em que essas heresias se apresentam com uma aparência moderna.
“Dos quais são
os pais, e dos quais é Cristo, segundo a carne, o qual é sobre
todos, Deus bendito eternamente. Amém!”
(Rm
9.5)
Romanos 1.1-4; Filipenses 2.5-11
Romanos 1
1 - Paulo,
servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o
evangelho de Deus,
2 - o qual
antes havia prometido pelos seus profetas nas Santas Escrituras,
3 - acerca
de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne,
4 -
declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de
santificação, pela ressurreição dos mortos, - Jesus Cristo, nosso
Senhor,
Filipenses 2
5 - De sorte
que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo
Jesus,
6 - que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser
igual a Deus.
7 - Mas
aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se
semelhante aos homens;
8 - e,
achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até
à morte e morte de cruz.
9 - Pelo que
também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre
todo o nome,
10 - para
que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e
na terra, e debaixo da terra,
11 - e toda
língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus
Pai.
Uma vez
estabelecida definitivamente a Cristologia em Niceia (325) e a
Trindade em Constantinopla (381), surgem novas especulações
teológicas em torno das naturezas de Cristo: humana e divina. Essas
controvérsias deram origem ao Concílio de Calcedônia (451), hoje
um bairro de Istambul, na Turquia. A presente lição é sobre o
Nestorianismo e Monofisismo, dois pensamentos considerados heréticos
no Concílio de Calcedônia.
1. “Descendência de Davi segundo a carne”. O
apóstolo está se referindo aos ancestrais de Jesus. Ele veio de uma
família humana de carne e ossos, que vivia entre o povo de Israel. A
sua linhagem está registrada na introdução do Evangelho de Mateus
e no capítulo 3 de Lucas. Jesus foi concebido no ventre de Maria,
uma virgem de Israel, pelo Espírito Santo (Mt
1.20; Lc
1.35). Aí está o elo humano-divino, as duas naturezas do Senhor
Jesus.
2. “Declarado Filho de Deus em poder”. Essa
expressão indica a divindade de Jesus e isso é reforçado logo em
seguida pelas palavras “Jesus Cristo, nosso Senhor”. Mais
adiante, Paulo, ao descrever os privilégios que Deus concedeu a
Israel como a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a
lei, e o culto, e as promessas; o apóstolo conclui: “dos quais são
os pais, e dos quais é Cristo, segundo a carne, o qual é sobre
todos, Deus bendito eternamente. Amém!” (Rm
9.5). O Senhor Jesus é um judeu, descendente de Israel e, ao
mesmo tempo, é o “Deus bendito eternamente”.
3. O antigo hino cristológico (Fp2.5,6). O texto está
dizendo que embora Jesus sendo Deus, não usou as prerrogativas da
divindade durante seu ministério terreno e, mesmo que fizesse uso
delas, não consideraria isso uma usurpação. O apóstolo está se
referindo ao status de Cristo antes da encarnação (Jo
1.1,14). Mas enfatiza o aspecto humano (vv.7,8).
O apóstolo está sendo muito claro no ensino das naturezas humana e
divina em uma só Pessoa. Essa passagem é parte de um provável hino
que os primeiros cristãos cantavam nos cultos e o apóstolo Paulo a
inseriu nessa epístola aos Filipenses. O termo grego morphē,
“forma”, usado pelo apóstolo Paulo, “sendo em forma de Deus”
(v.6),
indica essência imutável, portanto, Ele jamais deixou de ser Deus.
O Senhor Jesus é
declarado “da descendência de Davi segundo a carne” e “Filho
de Deus em poder”.
1. Quem foi Nestório? Ele
foi bispo de Constantinopla entre 428-431. Nestório discordava do
título dado à Maria, defendido por Cirilo de Alexandria (376-444),
“mãe de Deus”, em grego theotokos, literalmente “portadora de
Deus”. Ele sugeriu “receptora de Deus” ou christotokos, “mãe
de Cristo”. Sim, Maria é mãe do Jesus humano (Mt 2.11, 13, 14,
20, 21), e não mãe de Deus, visto que Deus é eterno (Sl
90.2; 93.2;
Is 40.28).
A expressão adotada por Cirilo era uma contradição em si mesma.
Embora a posição de Nestório fosse bíblica e teologicamente
correta, a popularidade do termo “mãe de Deus” de Cirilo impediu
o êxito do termo e da explicação de Nestório. A preocupação
dele era menos com a Mariolatria e mais com as ideias do Arianismo.
2. Nestorianismo. Nestório
defendia a formulação dos pais nicenos, a divindade de Cristo e a
humanidade definida no Credo Niceno-constantinopolitano em 381.
Segundo o pensamento nestoriano, as duas naturezas de Cristo, a
humana e a divina, eram duas pessoas. Essa foi a acusação contra
ele. A ilustração nestoriana era a comparação de marido e mulher
serem uma “uma só carne” (Gn
2.4). Essa alegada afirmação nestoriana foi considerada heresia
pelo Concílio de Éfeso em 431, ele foi condenado por esse concílio
que o declarou herege e o imperador o exilou.
3. Monofisismo. O termo vem de duas palavras gregas monos,
“único”, e physis, “natureza”. Seu principal expoente foi
Êutico, também conhecido como Eutique. Essa doutrina afirma que as
duas naturezas de Cristo são fundidas em uma só natureza
amalgamada. O sentido de “amalgamar”, não o de unir, não se
trata de união, mas mistura, fusão, assim, seria uma só natureza
híbrida, nem totalmente Deus e nem totalmente homem. Essa doutrina
foi condenada no Concílio da Calcedônia, em 451.
a) Ilustração. O
bronze é uma liga de cobre e estanho, de modo que nem é cobre e nem
estanho, mas outro metal; quanto a cor verde, é uma mistura das
cores azul e amarela. Assim como bronze não é cobre e nem estanho;
e, o verde não é azul e nem amarelo, da mesma forma, de acordo com
Êutico, as naturezas de Cristo não são divina nem humana.
b)
Resposta bíblica. Segundo a Bíblia, o Senhor Jesus é perfeito
quanto à divindade e perfeito quanto à humanidade (Rm
9.5; Fp
2.5-11).
4. O Concílio de Calcedônia. Essa
formulação teológica fala das duas naturezas de Cristo em uma só
pessoa: “as propriedades de cada natureza permanecem intactas,
concorrendo para formar uma só Pessoa e subsistência; não dividido
ou separado em duas Pessoas, mas um só e mesmo Filho Unigênito,
Deus Verbo, Jesus Cristo Senhor”. A encarnação do Verbo não é
uma conversão ou transmutação de Deus em homem e nem de homem em
Deus. A distinção é precisa entre natureza e pessoa, diz o
documento. A união dessas duas naturezas é permanente como
resultado da encarnação. O documento é uma interpretação precisa
das Escrituras (Is
9.5; Jo
10.30-37).
O Nestorianismo e o
Monofisismo são duas heresias contrárias ao ensino bíblico da
dupla natureza de Jesus.
1. Os monofisitas. Quando a
doutrina monofisista foi rejeitada juntamente com o nestorianismo,
houve reação. Jacob Baradeus (500-578), um monge sírio, liderou o
grupo monofisista e preservou a tradição siro-monofisista,
conhecida como tradição jacobita. Ele e seus seguidores rejeitaram
a decisão do Concílio de Calcedônia. Quem são eles hoje? São as
igrejas ortodoxas, cóptica, armênia, abissínia e jacobitas. É
importante conhecer a cristologia dessa tradição cristã e saber
como responder seus questionamentos, e, sobretudo, conservar a fé no
Jesus, o Deus que se fez homem o Emanuel, “Deus Conosco” (Mt
1.23); o Deus “que se manifestou em carne” (1Tm3.16).
2. O kenoticismo. Do verbo
grego kenoō, significa “esvaziar” (Fp
2.7). A doutrina kenótica afirma que Jesus, enquanto esteve na
Terra, esvaziou a si mesma dos atributos divinos. São duas linhas
principais, o Verbo possuía os atributos divinos, mas escolheu não
os usar; e, as prerrogativas da deidade foram usadas, mas na
submissão do Pai e na direção do Espírito Santo. Entendemos que,
sem atributos divinos, Jesus é menos que Deus. O kenosis é o
“esvaziamento” de Cristo. Isso foi uma condição para o seu
messiado e por isso Ele abriu mão de sua glória celeste (Jo
17.5). Jesus revelou sua natureza divina quando esteve na Terra,
Ele agiu como Deus, pois perdoou pecados (Mc
2.5-7; Lc
7.48), recebeu adoração (Mt
8.2; 9.18;
15.25; Jo
9.38), repreendeu a fúria do mar (Mt
8.26, 27; Mc
4.39). Somente Deus tem esse poder (Sl
65.7; 89.9).
3. Mariolatria. O
catolicismo romano adotou o termo “mãe de Deus” de Cirilo, ou
seja, um pensamento antibíblico que se desenvolveu numa teologia e
permanece até hoje por conta da sua popularidade. Com isso
aprendemos que o que parece certo e a escolha popular nem sempre
representam a verdade (At
8.9-11).
As heresias a
respeito da dupla natureza de Jesus trazem implicações para a
conservação de nossa fé em Cristo e sua perfeita revelação.
O Concílio de
Calcedônia em 451 reafirma os dois concílios anteriores, o de
Niceia, em 325, e o de Constantinopla, em 381, ratificando os credos
produzidos por esses conclaves gerais e estabeleceu definitivamente
as duas naturezas de Cristo. A melhor maneira de se proteger dessas,
e de outras heresias, é conhecer bem no que acreditamos, os ensinos
oficiais de nossa igreja e seus respectivos fundamentos bíblicos.
Isso serve como nosso referencial quando nos deparamos com doutrinas
inadequadas.
Revista:
Em Defesa da Fé Cristã
Combatendo as Antigas Heresias que se Apresentam com Nova Aparência
CPAD - Lições Bíblicas 1º Trimestre 2025 - Adultos
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